Os Cabeceiras Rocks // 90-26 estão de regresso aos palcos após 30 anos. Uma fusão de diversas bandas da década de 90 que promete trazer a nostalgia e a ativar todas as recordações duma época bastante especial para todos aqueles que a integraram. Um comeback mais emblemático que o regresso de Ornatos ou Oasis para a região. Eis a entrevista com o grupo:
1- Cabeceiras Rocks é uma fusão de diversas bandas, oriundas de uma época bastante marcada pelo rock e pelo grunge. Como explicam o surgimento da(s) banda(s) naquela altura, num meio como o nosso?
Na verdade, foi uma combinação de fatores: o gosto pela música, o desejo de criar arte, a vontade de conviver e de nos divertirmos, a necessidade de exprimir o que pensávamos e sentíamos numa fase de maturação para a vida adulta. Por outro lado, num meio como o nosso, há trinta anos havia muito poucos entretenimentos, por isso esta era a solução perfeita para ocuparmos os nossos tempos livres.
2- Quais foram os desafios adjacentes aos vossos projetos naquela altura?
Os maiores desafios foram conseguir arranjar material musical (instrumentos, amplificadores, mesas de mistura, colunas…), e aqui temos de agradecer muito aos nossos pais e família, que nos ajudaram a adquirir os instrumentos. Também não era fácil encontrar um sítio para ensaiar; em muitos dos casos, ao longo do tempo, tivemos de mudar de sala de ensaio, devido ao barulho noturno que incomodava a vizinhança. Por último, arranjar atuações fora de Cabeceiras de Basto: naquela altura não havia redes sociais, portanto só funcionava a rede de familiares, amigos e conhecidos, e dependíamos destes para chegar a outros palcos.
3- O que vos motivou? E, aliada a esta questão, quais foram as vossas influências? (Desde bandas, artistas, etc)?
Todas as bandas englobadas por este projeto surgiram da crença de que é possível fazer a diferença e contribuir para um mundo melhor, tendo a música como veículo. Na maior parte das músicas do repertório encontramos crítica social, reflexões sobre Cabeceiras, Portugal e o mundo, e mensagens de incentivo e esperança. Curiosamente, passados 30 anos, algumas delas mantêm-se completamente atuais. Além disso, para nós a música é terapia: adoramos criar, tocar e exprimir sentimentos e mensagens. Naquela altura, e num meio como o nosso, foi ainda mais desafiante — ainda assim, isso deu-nos uma vontade e uma perseverança maiores.
Algumas das bandas que nos influenciaram foram: Xutos & Pontapés, UHF, Resistência, Nirvana, Pearl Jam e Oasis. Ou até bandas mais antigas, como Supertramp, Dire Straits e Pink Floyd.
4- Qual a mensagem que estava por trás da vossa criação? Como explicam a vossa forma de compor música nas mais variadas formas?
A principal mensagem é a da génese do rock: a busca pela liberdade, pela autenticidade e pelo inconformismo. Procuramos sempre questionar o *status quo* e exprimir as emoções da forma mais genuína.
Relativamente à forma de compor, há uma grande heterogeneidade: desde a criação da música e da letra em ensaios intensos, até à forma mais usual de alguém criar primeiro a música e/ou a letra, sendo os arranjos feitos depois em conjunto.
5- Quais as diferenças mais flagrantes que encontram daquela época para esta em termos musicais?
Hoje em dia as músicas são mais redondas, não há tantas variações, os solos (de guitarra, teclados ou outros) são curtos ou inexistentes, e as letras são muito mais suaves, com menos crítica e mais politicamente corretas. No passado havia mais sentimento e menos preocupação em agradar a toda a gente.
6- Qual é a história mais inusitada que tiveram enquanto banda?
Talvez a história mais inusitada pertença aos Geração 90: durante um concerto no Arco de Baúlhe, colocaram uma guitarra velha a arder durante a performance. Além de ter sido arrojado, isto teve um impacto ainda maior nos espectadores do concerto, deixando-os em êxtase ao ver tal cena.
7- Guilty pleasures musicais?
Fado e música tradicional portuguesa.
8- Qual foi para vocês o tema mais desafiante que desenvolveram e porquê?Aqui não existe uma resposta unânime, porque para cada banda retratada haveria uma resposta diferente. Contudo, podemos afirmar que tivemos alguns desafios com a música “Apelo à Juventude” nos ensaios do Cabeceiras Rocks.
9- Qual o significado que este regresso aos palcos tem para vocês a nível pessoal?O regresso aos palcos está carregado de emoção. Embora nenhum de nós seja músico profissional, a maior parte dos elementos continua a participar em projetos musicais. Porém, o Cabeceiras Rocks tem uma mística especial. Esta viagem até às músicas originais do passado desperta muitas recordações, histórias e sentimentos que estavam adormecidos. Portanto, será a realização de uma meta pessoal para cada um de nós.
10- Qual é a expectativa para o Poço de Noção?A nossa expectativa é grande: queremos fazer um tributo e uma homenagem a todas as bandas, aos seus elementos e aos seguidores e fãs das mesmas. Será uma excelente oportunidade para fazer uma viagem ao passado, unindo passado e presente neste extraordinário festival, que normalmente conta com as gerações mais novas. Esperamos que o pessoal das gerações mais velhas não falte à chamada, uma vez que viveram estes tempos e que a experiência lhes vai certamente despertar boas memórias e bons sentimentos; para os mais novos, vai ser uma oportunidade de conhecer as músicas de outrora e de se abrirem a novos horizontes. Esperamos uma reunião muito especial entre a banda e o público, neste que é um festival que dispensa apresentações.









