The New Cut – Entrevista

Oriundos de Bristol, os The New Cut são uma das mais recentes sensações do Reino Unido. Como tal, e como por cá também as temos, as sensações, surge esta entrevista ao grupo que estará em estreia exclusiva em Portugal, mais concretamente em Cabeceiras. Ei-la:

1- Como é que surgiu a banda?
Os The New Cut formaram-se oficialmente em 2021. Conhecemo-nos na universidade, local onde a banda se formou e praticamente começámos a atuar desde então. Porém, só o ano passado é que nos afirmamos no Reino Unido e fizemos a nossa primeira digressão.

2- Qual o significado do nome The New Cut?
Temos tendência a inclinarmo-nos para a história local. Há algo sobre fundamentar a música que fazemos com o ambiente em que vivemos que nos parece natural. ‘The New Cut’ é uma parte do rio Avon que passa por Bristol, de onde somos. A hidrovia artificial foi construída no início do século XIX e, como vivemos no sul de Bristol, temos de caminhar sobre este “new cut” sempre que vamos para o centro da cidade.
Esta tendência de nomes locais também se reflete na nossa discografia, com “Merrywood”, (o nosso primeiro EP), a ser batizado com o nome da rua onde o vocalista e o baterista costumavam viver, bem como a última faixa do nosso último EP Sleepers, “Arnos Vale”, que foi escrita sobre o cemitério local.

3- O que acham que devia estar na moda hoje em dia mas não está?
Eu sempre quis um par de Heelys quando era miúdo. Não tenho a certeza se isto foi moda em Portugal mas, se não foi, fiquem a saber que são sapatilhas com rodas no calcanhar que nos permite rolar. Era muito fixe, tipo em 2008.

4- Primeiro carro?
Nenhum de nós sabe conduzir, por isso: bicicleta.

5- Qual a mensagem que pretendem transmitir nas vossas letras?
Depende muito da música. A expressão dentro da música é uma viagem muito longa e complicada, que não é linear nem necessariamente quantificável. Acho que a ideia principal que corre nas nossas letras é um elemento de verdade. Acho que quanto mais autênticos formos connosco enquanto escrevemos, mais transmitimos isso ao nosso público. Fora isso, não acho que consiga dar uma resposta justa. Já escrevemos canções políticas, mas não nos chamaria necessariamente uma “banda política”. Também escrevemos faixas mais introspetivas, mas também não diria que não falamos do mundano ou do material.

6- Pratos favoritos?
Sou vegan, por isso já desisti da ideia de uma refeição perfeita há muito tempo. Para mim basta a boa e velha comida à base de plantas.
O resto da banda esqueceu-se de responder, mas eu vou responder por eles:
Flick: Para mim o mais importante numa refeição é a companhia. Não me importo do que estou a comer, desde que o Henry esteja lá. Adoro-o tanto!
Rachel: Uau, dizem que rir é o melhor remédio e eu rio-me bastante quando o Henry está por perto. Acho que, seja qual for a refeição, desde que ele esteja lá com o seu lado espirituoso, fico satisfeita.
Morgan: Caranguejo.

7- Quais são as vossas influências e Ídolos musicais?
Somos influenciados por muitas coisas. Uma grande parte do meu crescimento passou por bandas pós-punk dos anos 80 como Wire, The Fall, The Monochrome Set – contudo somos influenciados por uma vasta gama de artistas. Não diria que temos “ídolos” por si só, mas penso que há pessoas que a banda inteira adoraria conhecer. Infelizmente, acho que a maioria delas já morreu. Bandas que apreciamos: Sonic Youth, Interpol, Glint, Parquet Courts. A lista é interminável.

8- O que compram sempre que vão ao supermercado?
Um “meal deal” que é um clássico básico no Reino Unido. Frequentamos muito a secção de combinados de refeição para o almoço.

9- Têm alguma história inusitada enquanto banda que possam contar?
Apoiámos a banda Buzzcocks muito cedo na nossa carreira. Ainda não temos bem a certeza do porquê de nos terem convidado, pois não tínhamos conquistado muito nessa fase. Alguém nos enviou uma mensagem no Facebook e não tínhamos a certeza se estavam a brincar ou não. Aparecemos no dia e lá estavam eles! Foi um excelente concerto. O primeiro que tocámos foi num local em Bristol chamado Thekla, que é um barco no porto.

10- Filmes favoritos?
Todos temos gostos diferentes, por isso vamos responder individualmente:
H: Quando se trata de alguns dos melhores filmes que já vi, provavelmente diria algo como Three Billboards Outside Ebbing, Missouri ou um dos meus favoritos, um filme de ficção científica chamado Arrival. Os meus filmes de conforto teriam de ser a trilogia The Lord of the Rings.
Mais uma vez, como o resto da banda ainda não respondeu, vou imaginar as respostas deles por ti.
Flick: Bem, eu não me importo com o que estou a ver, desde que o meu líder favorito — Henry Gerrard — esteja lá. Ele escreve letras tão poderosas, diferenciadas e inteligentes.
Rachel: Teria de dizer o nosso primeiro videoclipe porque foi filmado e editado pelo nosso belo líder, Henry. Ele é tão talentoso.
Morgan: (quase num sussurro) O meu caranguejo?

11- Se pudessem fazer uma música com um artista qual seria e porquê?
Obviamente, todos nós adoramos a cena pós-punk e seria incrível trabalhar com alguns dos grandes nomes ou artistas contemporâneos que realmente admiramos. No entanto, seria divertido sair completamente do nosso registo e colaborar com alguém do outro lado da indústria. Ashnikko ou algo assim. O resto da banda em uníssono, como se as mentes tivessem ficado subitamente unidas através do amor e admiração mútuos: “Nós já trabalhamos com o melhor artista que existe — Henry Gerrard!”

12- Qual é o vosso jogo de telemóvel/computador favorito?
Gostamos muito de Slay the Spire. A sequela acabou de sair, mas nenhum de nós conseguiu comprá-la ainda, infelizmente. Também gostamos de Fallout: New Vegas, Rocket League, Bioshock, Metro, Skyrim, Oblivion e muitos mais.

13- Têm outras profissões para além de serem músicos?
Sim, a maioria de nós trabalha na hotelaria/restauração, pois é o único trabalho onde conseguimos flexibilidade suficiente para conciliar com a banda. O Flick trabalha como maquinista de costura a fazer balões de ar quente. Estes que frequentemente levantam voo pelo horizonte de Bristol.

14- Livros favoritos?
The Girl with All the Gifts, de Mike Carey. Eleanor Oliphant Is Completely Fine, de Gail Honeyman. The Lover of Singular Men, Patrick Hamilton’s Hangover Square, David Byrne’s How Music Works, e muitos mais.

15- Plano ideal de fim de semana?
Como trabalhos em hotelaria e afins, o nosso “fim-de-semana” é mais durante a semana. Quando temos tempo livre gostamos de o passar juntos e sair. Apreciamos especialmente de jogar bilhar, fica um clima bastante competitivo.

16- O que é que vos entusiasma em relação a Portugal?
Nunca estivemos aí. Ouvimos muitas coisas fantásticas sobre as vossas cidades bonitas, a cultura e a comida. Estamos ansiosos por conhecer um país que se diz tão vibrante e deslumbrante! Ah, vocês também têm uma belíssima equipa de futebol.

17 – Qual foi o melhor concerto a que assistiram?
Uma vez, fomos todos a um concerto da banda Do Nothing, na Rough Trade, em Bristol. Com certeza, esta foi uma das nossas melhores experiências. Também gostei muito de ver o Johnny Marr tocar num festival, há alguns anos atrás. O festival Dot to Dot, em Bristol — há uns três anos —, foi incrível para todos, menos para quem estava perto de mim o suficiente para me ouvir gritar a letra de todas as músicas.

18- Qual a música mais desafiante a ser desenvolvida por vocês?
Provavelmente, a “London, Out There”. Foi a mais complexa na produção e até mesmo nos arranjos. Tudo o resto proporcionou-se de forma bastante fluída.

19- Qual a melhor coisa para sabermos sobre o vosso país?
Uma das melhores coisas sobre o Reino Unido é o Serviço Nacional de Saúde. Houve, também, um momento nos Jogos Olímpicos de 2012 em que fizemos com que parecesse que a rainha estava a saltar de pára-quedas no estádio, isso foi bem porreiro! Desculpem o Brexit, éramos muito novos para votar contra.

20- Têm algum palco de sonho?
O vosso e mal podemos esperar para tocar nele!

21- Expectativas para o Poço de Noção?
Gostamos de manter as expectativas no mínimo e ver o que é que acontece. Todavia, estamos focados num bom set para que vos possamos entregar um concerto incrível em troca da vossa fabulosa hospitalidade.

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